Parnaíba 306 anos – uma cidade baiana/pernambucana

Imagem: estilonacional.com.br

Programação pela comemoração dos 306 anos de fundação da Villa de Nossa Senhora de Monserrathe da Parnahiba, em 11 de junho de 1711, que deu origem à cidade de Parnaíba:
08/06
9h - Visita da imagem de N S de Monserrathe à sede da Prefeitura Municipal de Parnaíba
09/06
9h - Saída de N S de Monserrathe da Prefeitura para a Câmara Municipal
10/06
9h - Saída de N S de Monserrathe da Câmara Municipal para a Catedral
11/06
9h - Saída de N S de Monserrathe da Catedral para a Capelinha de Montserrat (Rua Duque de Caxias)

Entenda a história do 11 de junho de 1711 no texto abaixo do historiador Diderot Mavignier, um dos que encabeçaram o movimento Parnaíba 300 anos, em 2011. Fonte: Portal Costa Norte.

Parnaíba 306 anos – uma cidade baiana/pernambucana

Mal raiava o Século das Luzes, chegavam ao extremo Norte da Capitania do Piauí, o baiano Pedro Barbosa Leal e o seu geral administrador, o pernambucano João Gomes do Rego Barros. Leal era sertanista da baiana Casa da Torre, e João Gomes, filho do capitão-mor João do Rego Barros. Chegando ao litoral do Piauí, instalaram fazendas e as primeiras oficinas de couro e charque, bem como salinas.
Ermida de Nossa Senhora de Monserrathe no Centro Histórico da Cidade da Parnaíba, Piauí. Imagem do médico e fotógrafo pernambucano Paulo F F Carvalho

Em 1711, Leal solicita à Cúria de São Luís – Maranhão, licença para construir uma capela para santa de sua devoção – Nossa Senhora de Monserrathe. Assim, a cidade litorânea do Piauí ficou por quase cinquenta anos como Vila de Nossa Senhora de Monserrathe da Parnahiba. Leal trouxe de Salvador, o facalhão de retalhar carnes nos açougues baianos. A faca parnaíba passou, no século seguinte, a ser preferida pelos cangaceiros por conta de sua lâmina de 45 centímetros.

Faca parnaíba. Blog Lampião Aceso: http://encurtador.com.br/BOX08

No extremo Norte do Piauí, os aventureiros lidavam com a forte pressão dos temíveis índios tremembés. Em 1712, os colonos enfrentam a Confederação dos Tapuias do Norte liderada pelo índio Mandu Ladino. Este foi levado, ainda jovem, do Piauí, e depois de cristianizado num aldeamento próximo do Recife, fugiu e passou a incomodar os portugueses usurpadores de suas terras no Delta do Rio Paraguassu, hoje Rio Parnaíba. Ladino reuniu várias tribos contra os instaladores de fazendas de gado. Temendo pela segurança da imagem de Nossa Senhora de Monserrathe, João Gomes levou a imagem portuguesa para o arraial da Piracuruca, de onde nunca mais retornou. No ano de 1716, Ladino foi morto pelo sargento-mor da Vila da Parnahiba, Manuel Peres Ribeiro, sendo fuzilado tentando escapar pelo rio.
Petição da Cúria de São Luís, em resposta à Solicitação de Pedro Barbosa Leal para construção da Capela de Nossa Senhora de Monserrathe da Parnahiba, em 11 de junho de 1711. Pesquisa da desembargadora Josefa Ribeiro da Costa, junto ao Arquivo Público do Maranhão, em 2008.

Imagem de Nossa Senhora de Monserrathe da Parnahiba na Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Piracuruca, Norte do Piauí.

Perspectiva da Vila de São João da Parnahiba, em 1809. No destaque, a ermida de Nossa Senhora de Monserrathe, hoje, no Centro Histórico da Cidade da Parnaíba, Piauí. Fonte: original manuscrito do Arquivo Histórico do Exército, Rio de Janeiro.

Assim, o arraial de Nossa Senhora de Monserrathe da Parnahiba é a proto-vila que, em 1762, deu lugar a Vila de São João da Parnahiba e que, em 1844, foi elevada à categoria de Cidade da Parnaíba, uma construção iniciada por um baiano e um pernambucano. Parnaíba, neste junho de 2017, completa os seus 306 Anos.

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