Superintendência de Cultura colabora na elaboração do plano museológico do Museu do Trem do Piauí

Foto: Helder Fontenele
Por definição, “Universidades são instituições de ensino superior pluridisciplinar e de formação de quadros profissionais de nível superior, de investigação, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano”. Em consonância com tal definição, o mestrado em Artes, Patrimônio e Museologia, da Universidade Federal do Piauí realiza, a cada turma, atividades que vêm contribuindo para melhorias no Museu do Trem do Piauí, como a catalogação do acervo e, atualmente, pelo mestrando Helder Souza, a elaboração do plano museológico.
Segundo o Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), o "Plano Museológico tem finalidade de orientar a gestão do museu e estimular a articulação entre os diversos setores de funcionamento, tanto no aprimoramento das instituições museológicas já existentes, quanto na criação de novos museus. Essa ferramenta de planejamento estratégico deve ordenar e priorizar as ações a serem desenvolvidas pelo museu para o cumprimento da sua função social e constituir-se como um documento museológico que baliza a trajetória do museu."
O site da Tríscele, empresa especializada em gestão de museus e web, afirma, segundo dados do Ibram, de 2010, que "o Brasil possui mais de 3.600 museus, mas somente 25% deles possuem o seu Plano Museológico."

Encontros e Oficinas
Albert Piauhy, Superintendente de Cultura, cujo mote de gestão inclui a criação e manutenção de museus, aceitou o convite para participar do primeiro encontro de apresentação e desde então, a Superintendência de Cultura passou a integrar efetivamente o projeto.
No dia 7 de junho de 2018 aconteceu, na UFPI, o primeiro encontro entre representantes da Prefeitura Municipal de Parnaíba, Faculdade Internacional do Delta - FID, Faculdade Mauricio de Nassau, Instituto Histórico Geográfico e Genealógico de Parnaíba - IHGGP, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan, instituições que aceitaram o convite de Helder para serem colaboradoras no projeto.







De acordo com Helder, a metodologia consiste em quatro etapas: Conceitual, Pré-diagnóstico, Diagnóstico e Elaboração do Plano. tal metodologia vem sendo realizada por meio de oficinas, encontros e eventos a fim de mobilizar pessoas e instituições a conectar-se ao Museu do Trem do Piauí, em caráter sustentável e evolutivo. Contemplando não apenas o prédio que abriga o Museu, mas tudo a ele relacionado, como a Estação Floriópolis.
No dia 04 de agosto foi realizado o sexto encontro e cada instituição recebeu um programa ou área de trabalho do museu, para desenvolver. Cada programa é um elemento que comporá o plano museológico. A distribuição se deu por afinidade e área de atuação de cada órgão e de seus representantes. O material norteador é a publicação do Ibram "Subsídios para a Elaboração de Planos Museológicos" e os programas são:
Institucional: abrange o desenvolvimento e a gestão técnica e administrativa do museu, além dos processos de articulação e cooperação entre a instituição e os diferentes agentes. Gestão de Pessoas: abrange as ações destinadas à valorização, capacitação e bem-estar do conjunto de servidores, empregados, prestadores de serviço e demais colaboradores do museu, o diagnóstico da situação funcional existente e necessidades de readequação.
Acervos: abrange o processamento técnico e o gerenciamento dos diferentes tipos de acervos da instituição, incluídos os de origem arquivística e bibliográfica. Exposições: abrange a organização e utilização de todos os espaços e processos de exposição do museu, intra ou extramuros, de longa ou curta duração.
Educativo e Cultural: abrange os projetos e as atividades educativo-culturais desenvolvidos pelo museu, destinados a diferentes públicos e articulados com diferentes instituições. Pesquisa: abrange o processamento e a disseminação de informações, destacando-se as linhas de pesquisa institucionais e os projetos voltados para estudos de público, patrimônio cultural, museologia, história institucional e outros.
Arquitetônico-Urbanístico: abrange a identificação, a conservação e a adequação dos espaços livres e dos construídos, bem como das áreas em torno da instituição, com a descrição dos espaços e instalações adequados ao cumprimento de suas funções, e ao bem-estar dos usuários, servidores, empregados, prestadores de serviços e demais colaboradores do museu, envolvendo, ainda, a identificação dos aspectos de conforto ambiental, circulação, identidade visual, possibilidades de expansão, e acessibilidade física e linguagem expográfica voltadas às pessoas com deficiência.
Segurança: abrange os aspectos relacionados à segurança do museu, da edificação, do acervo e dos públicos interno e externo, incluídos sistemas, equipamentos e instalações, e a definição de rotinas de segurança e estratégias de emergência.
Financiamento e Fomento: abrange o planejamento de estratégias de captação, aplicação e gerenciamento dos recursos econômicos.
Comunicação: abrange ações de divulgação de projetos e atividades da instituição, e de disseminação, difusão e consolidação da imagem institucional nos âmbitos local, regional, nacional e internacional.
Socioambiental: abrange um conjunto de ações articuladas, comprometidas com o meio ambiente e áreas sociais, que promovam o desenvolvimento dos museus e de suas atividades, a partir da incorporação de princípios e critérios de gestão ambiental (incluído pelo Decreto nº 8.124, de 2013).
Acessibilidade Universal (incluído pela Lei nº 13.146, de 2015): projetos e ações relativas à acessibilidade a todas as pessoas nos museus deverão ser explicitados em todos os programas integrantes em programa específico, resultado de agrupamento ou desmembramento.

A proposta é que, pela colaboração, sociedade e instituições, sejam parceiras no processo de construção de um Museu do Trem que cumpra, além da função de preservação de memória, a função cultural. Um museu guarda - mais do que obras e objetos de valor e de prestígio social - uma situação, um fragmento da história, portanto um problema cultural. Tudo que nele é exibido deve ter um compromisso com o conhecimento, a memória e a reflexão. O fruto desse trabalho conjunto - o Plano Museológico - irá servir de base para o planejamento de atividades que possam entregar à sociedade tal experiência.
A Superintendência Municipal de Cultura, entidade responsável pelo Museu, está presente desde o início do projeto e tem grande interesse na sua execução.

Museu do Trem do Piauí

Fundado em 15 de agosto de 2002, na administração do prefeito Paulo Eudes Carneiro, tendo como Secretário de Cultura o teatrólogo Benjamim Santos. Instalado no quase centenário prédio da estação de passageiros, tem 415 peças tombadas que remetem à década de 1920 quando foi criada a Estrada de Ferro Central do Piauí.







O espaço continua sendo administrado pela Prefeitura de Parnaíba, por meio da Superintendência de Cultura e tem fotos, instrumentos de medição, telefones, relógios de tempo e de ponto, uniformes, equipamentos de sinalização, capacetes, trilhos, portas de vagões, móveis, máquinas de calcular e de escrever, sinos, apitos, placas e outros instrumentos utilizados pelos ferroviários, tudo sob o olhar atento e cuidadoso do guia José Maria Rodrigues, funcionário efetivo da Secretaria Municipal de Cultura, que hoje conta com a colaboração de um outro servidor, Cláudio.  Segundo José Maria, que fala o inglês, alemão e espanhol, quem mais visita é gente de fora, de outras cidades e até poucos turistas de outros países. Sem contar os professores e estudantes universitários dos cursos de História, Turismo e de mestrado em Museologia da Universidade Federal do Piauí. “O parnaibano mesmo pouco vem ao museu”, diz.

Horário de funcionamento:
Segunda a sexta, das 7h30 às 17h30
Sábado, das 7h30 às 13h.

Fontes de referência para a matéria:
Redes Sociais da Superintendência de Cultura
Fotos: Helder Fontenele, Alessandra Mota, Fabrício Amado e Helder Souza
https://www.triscele.com.br/
https://academiaparnaibanadeletras.wordpress.com
http://www.museus.gov.br/


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